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Paulo Costa Lima: O Campo da Análise Musical e suas Ontologias

Notas

[1] A propósito, vale a pena perguntar: O que legitima uma análise?
[2] Os analistas se pautaram muito mais pelo 'Erklären' positivista do que pelo 'Verstehen' das ciências culturais, tal como Dilthey as concebia, amarradas à noção de 'entendimento mútuo', que estaria na base do estudo da ciência histórica, da economia, da literatura, das artes...
[3] Em A Origem da Obra de Arte, Heidegger (1977) abandona a estética do belo, em favor de um entendimento da obra de arte como 'coisa': "A essência da arte seria então o pôr-se-em-obra da verdade do ente (das Sich-ins-Werk-Setzen der Wahrheit des Seienden). Até aqui, a arte tinha a ver com o Belo e a Beleza, e não com a verdade."
[4] Embora haja contextos culturais que disso não necessitem - Cf. Merriam (1964), The Anthropology of Music.
[5] Com Heidegger desapareceria o falso conflito entre beleza e ciência, já que ambos gravitariam em torno da noção de 'verdade'.
[6] Análise e interpretação, impossível deixar de enfatizar a importância dessa conexão. Para Hatten (1994, p. 9), Musical Meaning in Beethoven, a interpretação é começo e fim dos processos de entendimento musical: "A variedade desses processos se estenderia do reconhecimento de padrões (uma pista sobre a intencionalidade por trás da obra) à reconstrução de um estilo; do processamento de relações musicais à adoção de seus correlatos expressivos; da energia cinética transmitida por uma performance à especulação abstrata provocada pela contemplação de uma obra". Todavia, não custa perguntar: O que vem a ser uma interpretação? Göran Hermerén (2001, p.10-11) faz um levantamento de conceitos e idéias associadas à 'geografia' da interpretação: 1. interpretação tem a ver com significado; 2. facilita o entendimento [envolve resolução de problemas, enigmas etc...]; 3. tem a ver com intencionalidades; 4. implica explicação; 5. aciona uma ambigüidade entre processo e produto [o sentido de interpretação em processo seria diferente daquele de interpretação como resultado]; 6. interpretação sempre envolve aplicação; 7. pressupõe a verdade (daquilo que está sendo interpretado); 8. pressupõe a verdade (da interpretação); 9. pressupõe a existência de normas; 10. requer habilidade e talento; 11. guia os caminhos de ação.
[7] "We cannot meaningfully conceive of anything like uninterpreted facts. Yet the facts cannot be exhaustively reduced to our interpretations. On the one hand, every empirical basis on which we can conceivably rely is mediated by implicit inferential interpretations. These inferences, no matter how rudimentary, are tied to representational signs. Consequently, even perceptions already occur in the dimension of semiotic representation". Habermas, (1968, p. 97-98), Knowledge and Human Interests, comentando Pierce.
[8] Parece oportuno lembrar a estreita relação entre composição e problematização, especialmente nos termos propostos por Schönberg, lembrando como esse eixo afeta o mundo da análise.
[9] Desenhos esses que podem inclusive ignorar a necessidade de uma teoria estética, tal como entendida no Ocidente (e nas culturas ancestrais do Oriente), Cf. Merriam (1964).
[10] A lista beira o exagero, mas a intenção é traçar um paralelo com a etnometodologia de Garfinkel, que define a sociologia como revelação dos critérios de escolha do leigo...
[11] É dentro dessa perspectiva que a análise precisaria ser alimentada na pós-graduação, autorizando como analistas todos os envolvidos nesse processo.
[12] Cf. Ontologies of Music, de Philipp Bohlman (1999), In: Rethinking Music, Nicholas Cook (Ed.)

 

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